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Metrô em Curitiba? Ficou difícil recuperar janelas de oportunidade

Não se trata exatamente de uma desistência do projeto, mas a prefeitura considera estar muito distante a possibilidade de Curitiba implantar o metrô. Todas as “janelas de oportunidade” abertas até 2014 para que a obra fosse licitada e iniciada foram perdidas – e, provavelmente, só poderão ser reabertas quando o país voltar a gozar de tempos prolongados de bonança econômica e política. Quando, não se sabe.

Estava praticamente tudo pronto para a licitação do metrô em 25 de agosto de 2014, uma segunda-feira, quando ocorreria leilão de ofertas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Na sexta-feira anterior, no entanto, decisão monocrática do Tribunal de Contas suspendeu o edital alegando imperfeições e solicitando esclarecimentos à prefeitura.

Até então, o governo federal estava comprometido a liberar a fundo perdido R$ 1,8 bilhões para a obra – cerca de 40% do custo da obra até então previsto. Pelos termos do convênio firmado com a União, os outros 60% seriam alocados pelo governo estadual, prefeitura de Curitiba e empreiteiras interessadas na construção e exploração comercial do novo modal.

A suspensão se deu às vésperas do início das campanhas eleitorais que reelegeram a presidente Dilma Rousseff e o governador Beto Richa. Somente após o pleito, já em dezembro, é que o Tribunal de Contas liberou a licitação depois de analisar as explicações que havia solicitado à prefeitura.

Inês, no entanto, já estava morta. Bastaram poucos dias para que o Brasil ficasse sabendo que a União estava falida e que investimentos ainda não oficialmente comprometidos, especialmente em mobilidade e infraestrutura, seriam suspensos – o que incluía o metrô curitibano. Ao mesmo tempo, a Operação Lava Jato atingia as grandes empreiteiras nacionais, únicas capazes e/ou interessadas em participar da mega obra. A aguda deterioração do ambiente político foi outro fator importante para jogar o projeto para as calendas.

Embora o secretário municipal de Planejamento, Fábio Scatolin, mantenha o argumento de que o metrô é o único modal capaz de atender em futuro próximo a demanda por transporte coletivo na capital – principalmente no eixo Norte-Sul –, a prefeitura está finalizando projetos alternativos, de custo mais baixo e em vias que não necessariamente vão desafogar o trecho Pinheirinho-Cabral.

A aposta agora é em veículos elétricos em dois trajetos principais. Um entre o bairro Cachoeira e a Rodoferroviária, com possibilidade de extensão futura até o aeroporto Afonso utilizando o canteiro central da avenida das Torres. Outro, na Linha Verde, unindo o Sul da cidade ao Atuba, no Norte, considerado importante para a integração do transporte metropolitano.

O Tribunal de Contas continuará vigilante.

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