Alzheimer
A degeneração no cérebro que desencadeia o mal de Alzheimer também está conectada à ineficácia da ação da insulina no órgão, gerando uma ligação entre a diabete e a doença. Segundo a professora endocrinologista da UFSC, Simone Van de Sande Lee, pacientes com diabete tipo 2 apresentam risco aumentado de desenvolver o Alzheimer. "A resistência à insulina contribui para a degeneração dos neurônios que ocorrem nesta doença. Alguns estudos demonstraram que drogas utilizadas para tratar diabete podem levar a uma melhora do desempenho cognitivo em modelos animais e em pacientes com Alzheimer", explica.
A obesidade pode não ser apenas mais um fator causador da diabete. Novas pesquisas têm revelado que elas podem ter um denominador comum, localizado no cérebro: o hipotálamo.
A pessoa com uma dieta rica em gorduras saturadas apresenta uma inflamação nesta região, responsável pelo controle do estoque de gordura corporal, influenciando a ação da insulina no cérebro.
Assim, a regulação da glicose no organismo é prejudicada e a diabete pode surgir. "A importância desta descoberta é que a mesma alteração que leva ao desenvolvimento da obesidade pode levar ao aparecimento da diabete.
No futuro pode haver tratamentos específicos que façam o controle global dos pacientes, que geralmente têm diabete e obesidade associadas", explica Simone Van de Sande Lee, endocrinologista que participa da pesquisa e professora endocrinologista da Universidade Federal de Santa Catarina.
A constatação foi feita pela equipe do professor Licio Velloso, do Laboratório de Sinalização Celular da Universidade Estadual de Campinas, que provou a atuação do hormônio para além dos tecidos periféricos (tecido adiposo, músculos e fígado).
"A inflamação faz com que o hipotálamo fique insensível ao sinal da leptina hormônio produzido pelos adipócitos [células de gordura] quando há muita gordura acumulada, que leva ao cérebro sinais de saciedade.
Assim, a fome persiste e a pessoa passa a comer mais do que deve e a ganhar peso", explica.