

Diagnosticado com um câncer no sistema linfático, pouco depois do anúncio de que o pai, acometido por um tumor no pâncreas, só tinha seis meses de vida, o ator Reynaldo Gianecchini encontrou forças para enfrentar a doença e, posteriormente, a inevitável morte do pai sem lamentações ou autopiedade. "Acho que tudo tem um porquê e todos os momentos, até os mais difíceis, possuem a sua beleza", diz. Um bem sucedido transplante de células sadias, retiradas da própria medula óssea, após agressivas sessões de quimioterapia, ajudou-o a encontrar a cura. Mas, acima de tudo, o galã credita sua vitória ao amor, à espiritualidade e a um histórico de hábitos saudáveis. O ator esteve em Curitiba no mês de abril divulgando sua biografia na Livrarias Curitiba.
O que mudou na sua alimentação depois da doença?
Eu já tinha uma alimentação bem cuidada, mas fiquei mais atento com relação a alimentos que possuem hormônios e agrotóxicos. Hoje é mais difícil eu comer fora de casa. Procuro ter a comida preparada do jeito que gosto e de modo que possa confiar na procedência, na higienização. Aproveitei também para começar a fazer uma dieta sem glúten e lactose aliás, acho que ninguém precisa de lactose. Lógico que, se der vontade, como uma pizza, mas procuro me alimentar direitinho no dia a dia.
Você tem uma rotina de exercícios físicos?
Eu faço tudo o que é possível quando se está fazendo uma novela, pois a rotina de trabalho é muito pesada. Fico tentando encaixar os exercícios, gosto de fazer natação. Não é do jeito que gostaria, mas quando acabam as gravações, retomo meu ritmo.
Além dos hábitos saudáveis, a que você atribui sua capacidade de se regenerar?
Acho que tem a ver com a minha busca, com a minha força vital, com a capacidade de me conectar com uma força maior do universo. Tive momentos espontâneos de meditação durante o tratamento. Eu não fazia yoga, era algo natural. Sentia minha força vital intervindo na regeneração do meu corpo. Fiquei atento a cada detalhe, fazia muitos exames, controlava as plaquetas, os neutrófilos. Não dava mole. Tentei não me deixar destruir pelo estresse. Cuidei de cada pedaço de mim. A sensação que tenho é que fui iluminando cada parte do meu corpo até encontrar a cura total.
O que mudou com relação a sua fé depois dessa experiência?
Aprofundei a crença na minha espiritualidade, na lei do universo, no amor. Não tem nada a ver com religião. Acho que tudo tem um porquê e todos os momentos, até os mais difíceis, possuem a sua beleza. Quando você vai ao encontro da lei da verdade, do amor, você tem um crescimento enorme. Eu me liguei no caminho que a vida me propôs e tirei o que havia de melhor dessa experiência.
E acho que isso me trouxe um ganho espiritual, de entendimento, uma capacidade de me conectar com aquilo que realmente interessa: o amor e a generosidade.
Foi depois da doença que você decidiu abrir uma instituição para carentes na sua cidade natal (Birigui, no interior paulista)?
Eu já tinha esse projeto, mas sabia que só poderia desenvolvê-lo na hora certa, porque é um projeto grande. Agora senti que era o momento, pelas pessoas que conheci e pelas oportunidades que surgiram. Por exemplo, 100% da renda do livro (Giane Vida, Arte e Luta, escrito pelo jornalista Guilherme Fiuza) é para a minha instituição. Está tudo encaminhado, até o mês de julho acho que a gente já tem alguma coisa de pé.
Que conselho você dá para alguém que tem uma pessoa próxima sofrendo com uma doença grave? Qual é a melhor forma de ajudar?
Acho que, em primeiro lugar, é preciso aceitar, encarar o problema de frente. A vida é o que é, independentemente dos nossos planos. A gente não tem controle sobre nada. Depois que você aceita, tem que tentar entender, descobrir que respostas pode tirar daquele dilema. E, claro, o amor e a solidariedade ajudam a te colocar em outro patamar. Quando você se abre, é mais fácil entender o que está a sua volta, cuidar da sua energia, entrar em sintonia com uma energia maior. Acho que o amor é muito importante no tratamento. Acho que é o mais importante.
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