A eleição de outubro é a primeira eleição geral do país depois da reforma eleitoral que vedou as coligações nas eleições proporcionais (para deputado estadual e deputado federal, no caso do pleito deste ano). Essa regra entrou em vigor nas eleições municipais de 2020 e gerou um aumento no número de candidatos, uma vez que, agora, cada partido precisa montar sua própria chapa para tentar eleger parlamentares.
A situação se repete neste ano e o Paraná registra recorde de candidaturas na história do estado. Ao todo, 1517 políticos habilitaram-se a receber os votos do eleitor paranaense na urna eletrônica no dia 2 de outubro. E essa conta não leva em consideração os nove candidatos a vice-governador e os 20 a suplente de senador (que não podem ser diretamente votados).
O eleitor paranaense terá que escolher, nesta eleição, entre nove candidatos ao Governo do Estado, dez ao Senado, 626 a deputado federal e 872 a deputado estadual. O número representa um acréscimo de 22% sobre o total de candidatos que disputou a eleição de 2018 (1.243).
Na última eleição geral no estado, houve mais candidatos a governador, 10, e ao Senado, 16 (eram duas vagas em disputa). Já para as eleições proporcionais, o número de candidatos aumentou significativamente neste ano. E o principal motivo é a ausência de coligações na proporcional. Assim, enquanto anteriormente vários partidos se juntavam para montar uma única chapa de candidatos a deputado, e o voto em qualquer candidato da coligação ajudava todas as legendas, desta vez, cada sigla só contabilizará os votos recebidos por seus candidatos. Exatamente por isso, precisaram lançar mais nomes em suas chapas puras.
A eleição proporcional funciona a partir do quociente eleitoral. O número total de votos válidos na eleição é dividido pelas vagas em disputa (30 para a Câmara dos Deputados e 54 para Assembleia Legislativa). Desta divisão, tem-se o quociente eleitoral e, cada vez que a soma dos votos de um partido atinge este índice, a legenda elege um parlamentar. Por isso os partidos se esforçaram tanto para conseguir montar chapas completas para a eleição, já que até mesmo os votos no candidato menos votado de cada legenda pode ajudá-la a eleger um parlamentar.
A eleição deste ano é, também, a primeira com a possibilidade da formação de federações partidárias, uma alternativa à coligação, mas que cria um vínculo bem maior que as antigas alianças por mera conveniência matemática. Ao se juntar em federações, os partidos assumem um compromisso nacional, repetindo a aliança nos 26 estados e no Distrito Federal, e permanente: a federação não dura só o período eleitoral, permanece por todo o mandato, atuando como um único partido no parlamento. Com essas restrições, apenas três federações se formaram no país. A maioria dos partidos entrou na eleição de 2022 de forma avulsa.
Assim, o número de candidatos a deputado estadual cresceu 13% em relação a 2018, subindo de 767 para 872; e o de candidatos a deputado federal saltou 39%, de 450 em 2018, para 626 neste ano. O maior crescimento do número de candidatos a deputado federal, apesar de haver menos vagas na Câmara do que na Assembleia Legislativa, justifica-se pela importância que a eleição para a Câmara dos Deputados ganhou nos últimos anos. Além de a Casa Legislativa estar tendo papel preponderante na definição dos rumos da política do país, a Câmara dos Deputados é essencial para a sobrevivência dos partidos políticos. É de acordo com o tamanho da bancada de deputados federais de cada legenda que é distribuído o tempo de rádio e televisão de cada sigla e, ainda mais importante, é a partir do número de deputados federais eleitos que se dividem os recursos do fundo partidário e do fundo eleitoral.
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