Após uma semana de pânico, os mercados financeiros tiveram um dia mais tranqüilo nesta segunda-feira. Ao contrário da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que se manteve no terreno positivo praticamente o dia todo, os mercados americanos oscilaram o dia todo, mas ambos fecharam em alta. O dólar chegou a cair forte e encostar em R$ 2, mas terminou o dia em ligeira queda.
O clima de maior tranqüilidade ainda era reflexo da decisão do Fed (banco central americano), anunciada na sexta-feira, de reduzir a taxa de empréstimo interbancário. Além disso, contribuíram para a melhora do ambiente a continuação das assistências de bancos centrais nos mercados de crédito para aumentar a liquidez dos sistemas financeiros. A operação de maior destaque foi a do Fed, que injetou cerca de US$ 3,5 bilhões.
O índice Bovespa (Ibovespa) terminou o dia aos 49.206 pontos, em alta de 1,33%, com movimento financeiro de R$ 5,304 bilhões, volume inflado pelo vencimento de opções. A moeda americana terminou o dia em baixa de 0,05%, a R$ 2,029, depois de ter caído a R$ 2,001 no início da manhã e ter passado a maior parte do dia em alta. O risco-país subiu 2,39%, para os 214 pontos.
Bolsas americanas oscilam nesta segunda
Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, fechou em alta de 0,32%, aos 13.121,3 pontos, após oscilar todo o dia em forte volatilidade. Já o eletrônico Nasdaq caiu 0,14%, aos 2508,59 pontos.
Apesar do ambiente mais calmo, os investidores ainda temem os efeitos da crise no mercado de crédito americano e a forte volatilidade deve continuar nos próximos dias.
"No mercado, a dúvida é saber qual será a próxima instituição, ligada ao mercado imobiliário ou ao sistema financeiro, a apresentar problemas nos seus fundos, podendo gerar uma crise de confiança dos clientes ou mesmo uma corrida contra os seus recursos", informou o relatório de Julio Hegedus Netto, economista-chefe da consultoria financeira Lopes Filho e Associados.
Na avaliação do analista Gustavo Barbeito, da Prosper Gestão, com o dia mais tranqüilo nos mercados financeiros, a Bovespa pode apresentar uma recuperação técnica em relação aos pregões americanos porque também caiu mais nos dias anteriores. Ele acrescenta que houve também uma interrupção do movimento dos fundos estrangeiros de vender as ações no Brasil para fazer caixa para cobrir perdas de outros investimentos.
- Acho que quem tinha de fazer caixa (se desfazendo de ações) já fez. Na semana passada, esse movimento foi muito forte - afirmou o analista, ressaltando, porém, que é cedo para dizer que a Bovespa já chegou ao fundo do poço.
O diretor da Ágora Corretora, Álvaro Bandeira, avalia que a volatilidade nos mercados foi reduzida em relação aos níveis recordes da semana passada mas ainda continua em alta. O analista acredita que o mercado parece estar se ajustando aos poucos aos efeitos da crise no mercado de crédito.
Na Europa, alta moderada nas bolsas
Na Europa, as principais bolsas fecharam em alta moderada nesta segunda-feira. A Bolsa de Londres subiu 0,24%, a bolsa de Frankfurt, 0,40%, e a de Paris, 0,67%.
Na Ásia, as bolsas tiveram altas expressivas como reflexo das medidas anunciadas pelo Fed. Na sexta, os mercados asiáticos já estavam fechados quando o Fed anunciou a decisão de reduzir a taxa dos empéstimos interbancários e não acompanharam o bom desempenho dos mercados americanos. Além disso, na semana passada, os pregões asiáticos registraram os piores desempenhos em 17 anos.
Nesta segunda-feira, o índice Nikkei da Bolsa de Tóquio fechou em alta de 3%. A Bolsa de Seul também teve alta expressiva, de 5,69%. A Bolsa de Hong Kong subiu 5,93% e a de Xangai teve alta de 5,33%.



