História
Ex-ditador comandou país com mão de ferro
Jean-Claude Duvalier, o "Baby Doc", chegou ao poder em 1971, aos 19 anos, quando seu pai morreu. Ele controlou o país miserável com mão de ferro, proibindo a oposição, reprimindo dissidentes e desviando dinheiro público para fins privados.
Duvalier ficou no poder durante 15 anos, até um levante popular em 1986, quando forças pela democracia tomaram as ruas. Os Estados Unidos pediram que ele deixasse o poder e ele saiu do país em um avião da Força Aérea norte-americana. Posteriormente, recebeu permissão para viver exilado na França, onde reside na costa do Mediterrâneo.
Existem sinais de que "Baby Doc" pode estar enfrentando problemas financeiros. Os parlamentares suíços aprovaram, em setembro de 2010, um projeto de lei que tornará mais fácil para o governo haitiano recuperar dinheiro depositado nos bancos suíços pelo ex-ditador. A agência de notícias SDA reportou que o governo do Haiti receberá cerca de US$ 7 milhões recuperados da família Duvalier."Sob a Presidência de Duvalier e seus [milicianos], milhares foram mortos e torturados, e centenas de milhares de haitianos fugiram para o exílio. Já passou do tempo de ele ser responsabilizado", disse José Miguel Vivanco, diretor para as Américas da Human Rights Watch.
Porto Príncipe - De volta a Porto Príncipe após 25 anos de exílio na França, o ex-ditador do Haiti Jean Claude Duvalier, o "Baby Doc, se transformou em mais um ator da crise política do país e provocou uma onda de duras críticas de ONGs e ex-perseguidos políticos que cobram que ele seja julgado pelos crimes de seu governo (1971-1986). "Vinte e cinco anos de um cômodo exílio são suficientes para esquecer os horrores, o sofrimento, a injustiça, o custo econômico e humano de décadas de ditadura?, questionou Michaëlle Jean, enviada da Unesco ao Haiti.
Jean fez carreira no Canadá, para onde a família migrou quando ela tinha 11 anos por causa da perseguição do regime Duvalier.
O inesperado regresso de "Baby Doc, de 59 anos, no domingo, também foi criticado pelas ONGs Human Rights Watch e Anistia Internacional, que exigiram que ele seja julgado por supostos crimes de lesa humanidade e o desvio de estimados US$ 100 milhões.
Duvalier cancelou conversa com jornalistas marcada para ontem, mas recebeu antigos seguidores no hotel de luxo Karibe. Legalmente, Duvalier não tem impedimentos para voltar ao Haiti. Tampouco responde a ações na Justiça. Seu retorno era considerado uma ameaça à estabilidade do país na avaliação dos EUA em 2006, às vésperas das eleições presidenciais, segundo documentos vazados pelo site WikiLeaks.
Opositores do presidente René Préval acusavam o governo de promover a volta de Duvalier para "turvar ainda mais a situação política no país e provocar a extensão do mandato do presidente. Ex-ativista que lutou contra a ditadura, Préval não fez comentários sobre a volta do ex-ditador. O Haiti teve o primeiro turno das eleições presidenciais no final do ano passado, com denúncias de fraudes. O segundo turno, que deveria ocorrer em 16 de janeiro, foi cancelado.
Préval recebeu ontem José Miguel Insulza, o secretário-geral da OEA, para falar sobre a crise política. Para o embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman, o "timing muito curioso" de "Baby Doc" o converte automaticamente em um "ator" da crise.
"Ele é um haitiano e como tal é livre para voltar para casa", disse o primeiro-ministro Jean-Max Bellerive. Questionado sobre a possibilidade de "Baby Doc" desestabilizar o país, Bellerive disse que "até agora, não existem motivos para acreditar nisso"
Retorno
Segundo uma fonte diplomática francesa em Porto Príncipe, Duvalier tem uma passagem de volta para a França marcada para quinta-feira, dia 20 de janeiro.
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