O delegado Rubens Recalcatti, de Araucária: exposição diária na rede de computadores.| Foto: Daniel Derevecki/Gazeta do Povo

Dicas para os pais

Os pais têm uma falsa sensação de controle do conteúdo acessado pelos filhos na internet, constata a pedagoga e consultora em Tecnologia Responsável, Danielle Lourenço. Ela explica que a ideia equivocada faz que muitos pais nem se preocupem com o assunto. "A internet promove ações socializadoras, acesso ao conhecimento, estimula a escrita, o raciocínio lógico, a capacidade de concentração, abre mil janelas para o mundo, desde que utilizada de modo correto e com supervisão constante dos pais", afirma. Confira algumas dicas da pedagoga:

• Deixe o computador num cômodo "público" da casa, como sala de estar ou escritório. Isso inibe ações inadequadas e facilita o acompanhamento.

• Sente-se com seu filho em frente ao computador e peça que ele mostre quais os sites que visita, seus amigos do MSN, seu blog. Muitos especialistas recomendam que crianças e adolescentes não entrem em sites de relacionamento. Se você permitir que eles entrem, veja a página do perfil.

• Limite o tempo de uso da web. Uma a duas horas por dia, em período letivo, é mais do que suficiente.

• Todo dia a internet tem novidades e novos perigos. Ficar de olho nos sites que o filho acessa e acompanhá-lo na navegação é um exercício de amor e paciência.

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Denúncias recebidas contra os direitos humanos na internet
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Pornografia infantil, pedofilia, racismo, neonazismo, intolerância religiosa, apologia e incitação a crimes contra a vida, homofobia e maus-tratos contra os animais. Todos os dias, as autoridades brasileiras são informadas de 250 novos crimes como esses cometidos via internet. No ano passado inteiro, foram 91 mil casos que chegaram à Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos – número 110% maior do que as 43 mil denúncias de 2006.

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A Central de Denúncias, mantida pela ONG SaferNet e pelo Ministério Público Federal, diz que 90% dos casos registrados têm origem nas redes de relacionamento social. A pornografia infantil é o crime mais comum: corresponde a 63% do total.

O Ministério Público Federal, aliás, credita o crescimento de investigações de crimes cibernéticos ao acordo feito em julho de 2008 com o Google, empresa dona do Orkut. A empresa passou a encaminhar regularmente às autoridades páginas que contivessem pornografia infantil.

Investigação

As denúncias recebidas são encaminhadas para o Ministério Público, que instaura procedimentos para investigação. O número de procedimentos abertos pelo órgão aumentou 318% em um ano. Foram 620 investigações em 2007 contra 1.975 em 2008.

Além dos crimes contra os direitos humanos, violações como ameaça, calúnia, difamação, injúria e falsa identidade têm se tornado comuns na internet. Porém, não aparecem nas estatísticas da Central de Denúncias.

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O delegado-titular do Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), Demétrius de Oliveira, confirma o aumento dos casos. "Criminosos também são ligados à tecnologia", afirma. Ele recebe casos que vão desde falsa identidade até extorsão feita pela internet, passando por uso de informações pessoais e difamação on-line.

O próprio delegado é, inclusive, erroneamente citado no Orkut. Numa comunidade denominada Nuciber Paraná, o criador pede para que os internautas enviem denúncias ao delegado. Mas as denúncias enviadas pelo Orkut não chegam ao Nuciber. "Não é um site oficial", diz o delegado.

Exposição

Muitos crimes ocorreram por descuido das vítimas. O delegado Oliveira orienta usuários a não expor informações pessoais nem fotos. Nas comunidades de relacionamento, que borbulham de acessos, a exposição é constante. Para quem não conhece, um site de relacionamento funciona assim: a pessoa se cadastra, cria um perfil, descreve-se, coloca sua foto e vai em busca de mais amigos. Sem querer, o usuário fornece informações preciosas para quem está mal intencionado.

Segundo a pedagoga e consultora em Tecnologia Responsável Danielle Lourenço, muitos internautas divulgam dados sobre sua vida pessoal. "Fotos de rosto, escola onde estudam e ainda marcam ‘baladas’", critica Danielle.

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Serviço

Mais informações no Nuciber, pelo (41) 3323-9448 ou no site www.safernet.org.br.

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Interatividade

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