O tribunal de júri federal reunido em Paranaguá, no litoral do estado, decidiu pela absolvição dos cinco marinheiros acusados de tentativa de homicídio contra clandestino camaronês Wilfred Happy Ondobo. A sentença também inocentou o marinheiro Orhan Satilmis, que era acusado ainda pelos crimes de racismo e tortura.

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Satilmis, Ramazan Ozdamar, Zafer Yildirim e Ihsan Sonmezocak, de nacionalidade turca, e Mamuka Kirkitadze, da Geórgia, receberam seus passaportes imediatamente após o veredito e já estão livres para retornar a seus países de origem, após a revogação das medidas cautelares que os mantiveram retidos sob liberdade vigiada em Paranaguá por quase quatro meses. Os sete jurados escalados para o tribunal do juri acataram a tese da defesa. O advogado Giordano Vilarinho Reinert negou que os marinheiros acusados tivessem encontrado o clandestino do navio. Em relação ao crime de tortura, os jurados entenderam que não houve provas materiais do fato, já que o clandestino não apresentava nenhuma lesão quando foi recolhido. Durante o julgamento, o próprio representante do Ministério Público federal (MPF) disse não estar convencido na prática de racismo.

O clandestino em seu depoimento disse não se lembrar das palavras "racistas"que lhe foram dirigidas e entrou em contradição várias vezes, chegando a afirmar que desceu por uma escada de cordas, instalada na lateral do navio. No inicio do caso em junho, ela havia alegado que fora lançado ao mar pelos marinheiros. O tribunal de júri federal, realizado pela primeira vez na cidade e pela quinta vez no Paraná, ocorreu em tempo recorde. Em menos de 120 dias foi concluído o inquérito na Polícia Federal, apresentado a denúncia do MPF e realizado o julgamento.

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Entenda o caso

No final de junho, o navio Seref Kuru, administrado por um armador da Turquia, foi retido no porto de Paranaguá, após o MPF receber a denúncia de que um camaronês que viajava clandestinamente na embarcação teria sido lançado ao mar pelos tripulantes, a cerca de 15 km da costa brasileira. Todos os 19 integrantes da tripulação foram desembarcados e mantidos sob liberdade vigiada, proibidos de deixar a cidade de Paranaguá.

No inicio de agosto, o navio deixou o porto com nova tripulação, vinda da Turquia. No mesmo mês, a Justiça liberou 13 tripulantes e aceitou denúncia contra os marinheiros Ihsan Sonmezocak, Mamuka Kirkitadze, Zafer Yildirim e Ramzan Ozdamar por tentativa de homícidio. O imediato Satilmisfoi acusado ainda pela prática dos crimes de racismo e tortura.