O PT se pergunta: "E se Osmar desistir?" parte 2
Esta coluna reproduziu, anteontem, o sentimento de preocupação de uma corrente do PT quanto ao eventual malogro da coligação do partido com o PDT de Osmar Dias. Implicitamente, a preocupação se traduzia na pergunta: o que fazer se Osmar desistir da candidatura ao governo? Imediatamente, representante de influente corrente do PT tratou de desfazer o temor embutido na pergunta.
E começou por desmentir os rumores de que o PT, para evitar que Osmar desista, estaria disposto a mudar seus planos em relação a Gleisi Hoffmann. Ao contrário dos que pretendem que ela figure na chapa como candidata a vice-governadora, a fonte assegura que essa mudança já deixou de ser cogitada ela será mesmo candidata ao Senado. Ainda que Osmar não dispute o governo.
Reconhece, contudo, que a aliança com Osmar é de fato vantajosa para o PT. Reforçaria muito a campanha de Dilma Rousseff, mas também seria vantajosa para Osmar. "Aliás, que outro cabo eleitoral teria tanto peso na próxima eleição quanto o presidente Lula?", pergunta o eminente petista.
Segundo ele, a questão que deve ser colocada é uma só: como convencer possíveis aliados se o pedetista mantém a indefinição? E assegura: "Se essa indefinição perdurar até o fim de junho, será muito difícil reunir os apoios pretendidos". Nesse sentido, lembra da campanha de 2006, em que a demora fez com que Osmar perdesse aliados e, em razão disso, perdesse para Requião uma eleição que já estava ganha. A indefinição só é boa para Beto Richa, que já está em campanha.
Orlando Pessuti recebeu o cargo de governador no fim da tarde de quinta-feira. O dia seguinte, feriado de Sexta-Feira Santa, já foi de trabalho: logo de manhã chamou à sua casa o senador Osmar Dias para uma longa conversa, que de política sucessória, embora ambos sejam candidatos, não teve quase nada ou teve muito, não se sabe.
O tema que dominou o encontro, que durou das 9h às 11h30 com direito a apenas um cafezinho, foi administrativo e não político. Ambos combinaram uma ação conjunta para dar solução rápida, final e definitiva a um problema sobre o qual o ex-governador Roberto Requião discursou muito durante sete anos e fez quase nada, deixando para seu sucessor, em tamanho maior, a herança que recebeu do governo Jaime Lerner.
Trata-se do polêmico caso dos títulos públicos de estados e municípios que o Paraná adquiriu durante o processo de saneamento do Banestado e que, com a privatização do banco, ficaram com o comprador, o banco Itaú.
O Itaú cobra a quitação dos títulos, mas nada em mar de tranquilidade, pois, se o Paraná não pagar, pode fazer valer o que reza o contrato. E o contrato reza que, neste caso, ações da Copel, dadas em garantia, serão transferidas para o banco, que assume o controle da companhia estatal de energia. Isto é, a Copel corre o risco de ser privatizada!
A tragédia não termina aí. Puxemos a história: tudo começou em 1998 quando uma resolução do Senado permitiu ao governo paranaense que contraísse empréstimo de R$ 5,5 bilhões com o Tesouro da União para sanear o Banestado e colocá-lo à venda. Desde então, o governo paranaense já pagou R$ 7,5 bilhões mas ainda deve R$ 9,1 bilhões até 2029. Por que a dívida cresceu tanto? Porque Requião se negou a pagá-la e, ao assim proceder, o índice de correção mudou do IGP-DI para a taxa Selic, conforme rezam as normas.
Com isso, os repasses constitucionais do governo federal para o estado passaram a sofrer descontos maiores. Todos os meses, a União retém R$ 62 milhões do dinheiro que pertence ao Paraná. E ainda cobra R$ 6 milhões mensais de multa pela inadimplência. Total: R$ 68 milhões todos os meses o equivalente, mais ou menos, a 3 mil casas populares.
Toda essa história serve para dizer duas coisas. A primeira: que a não solução do problema inviabiliza o bom desempenho de governos futuros. A segunda: que Orlando Pessuti, ao convidar Osmar Dias para conversar sobre o assunto, dá a primeira demonstração de que pretende fazer um governo em estilo bem diferente do de seu antecessor. Que prefere o diálogo com correntes variadas da política (inclusive com adversários) para alcançar resultados práticos.
É de Osmar Dias um projeto que anula a resolução do Senado de 1998 que gerou a pendenga toda. Esse projeto encontra-se na Comissão de Constituição de Justiça do Senado desde o ano passado. Se aprovado e para isto basta o presidente Lula querer o Paraná se livra da dívida. Requião berrou bastante na "escolinha" mas não moveu palhas suficientes para que o projeto fosse aprovado.
Pessuti não quer agir assim; quer ajudar na aprovação. Por isso, chamou Osmar para conversar e para dar início à ação conjunta. Politicamente, isto pode significar, por exemplo, que os dois poderão agir juntos também no segundo turno das próximas eleições.
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